domingo, 28 de dezembro de 2014

Três e meia da manhã

três e meia da manhã,
e eu sou um tic-tac de horas.
que a noite leva-me por becos escurecidos,
e que me trazem pensamentos atrozes.
acorda-me num vendaval de emoções
e faz chover o amor,
acalma a tempestade
que não é mais que uma sensação de pudor.
o despertador não toca,
e tu não vens.
são três e meia da manhã
e eu quase perco os meus bens.
corre! vem acudir-me!
protege-me num abraço

que já sou quase cansaço,
não é que te importe,
mas a chuva já vem forte,
o mar está mais agitado,
e o vento virou para norte.
eram três e meia da manhã
e tu não vieste

que o dia te corra bem amanhã,
porque já me perdeste.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Música

O maestro ergueu-se,
como se comandasse tudo.
e o músico tocou,
o mais alto dó agudo.
a plateia aplaudiu,
como se fosse Mozart,
mas o maestro exprimiu
que se tratava de música do coração,
de cada palpitação.
assim se descobriu
que já fomos quase música.
partitura infinita,
a cada palpitar de coração,
e que quase ressuscita.
levada pelo vento
invejou toda a gente,
e os fez erguer em movimento,
quase que diretamente.
idolatrar a música, é idolatrar o amor,
quanto mais profundo,
mais confortador,
quanto mais sentido,
mais facilmente atinge o interior
e assim sendo a alma que estava perdida,
torna-se certa 
e agora em nada duvida.