quarta-feira, 29 de abril de 2015

Cinzento

Entristece-me a madrugada nebulosa,
As cores cinzentas de esperança chuvosa.
Nem um raio de sol, uma abertura de céu azul;
A bússola só aponta para sul.

Flores primaveris nem vê-las;
A humidade escorre pelas entranhas.
Os faróis dos carros iluminam estradas,
Que na brancura se encontram escondidas.

E depois a chuva cai que nem lágrimas;
E o tempo chora as últimas;
Acaba por desmoronar a palidez
E mais ninguém vem com porquês.

E o céu voltou na noite estrelada,
E a lua mostrou-se encantada.
Estrelas abrilhantaram o manto escuro
Parecendo que o dia não foi duro.

Voltam os cagarros, e a sua música noturna,
E os morcegos antes que "noturna" passe a "diurna".
E de repente a lua beija o mar,
E era hora de acordar.

Sem ti eu sentia-me como céu cinzento,
Por dentro transformava-me em tormento.
E depois acordaste-me da escuridão,
Envolveste as tuas mãos no meu coração.

Queria que soubesses que te amo,
Que é a ti que aos Deuses reclamo,
E que quando não estás aqui,
O tempo é escuro em mim.




sábado, 25 de abril de 2015

Foram cravos... Foram gritos

Tanto tempo que viviam pela calada
Naquela longa estrada;
Monótona, muda, a preto e branco;
A ditadura era um atravanco.

Vozes caladas na solidão
De quem um dia quis falar,
Recorda-se hoje, com gratidão,
O que há 41 anos Portugal viu passar.

Foram cravos;
Foram gritos;
Foram bravos,
Inclítos.

"O povo é quem mais ordena"
Porque a força é do tamanho
Que os homens queiram,
E a voz do povo é mais poderosa 
Que o período da ditadura.

Façam-se ao mundo,
"Grândola Vila Morena",
Que o povo consegue tudo,
Se não tiver alma pequena.






quinta-feira, 2 de abril de 2015

Corpo ou alma

Haverá vida num corpo?
Ou a alma é a vida que existe na gente.

Ou será que tudo mente?
Ou será que nada vive?
Nada é mais fulgente
Que a vida num corpo prudente.

Vem alma corroída,
E vem sem vida;
Que por madrugada foi esquecida,
Estatelada em plena estrada, agredida.

Socorram as almas do chão,
Que o vento as vai levar;
Terminem com a agressão
De quem não as quer amar.

Se Deus nos fez gente
Foi para amarmos com calma.
Mas, sinceramente,
O corpo é a vida que mente?
Ou somos vida em alma?