segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

O céu existe para sonhos

O céu só existe para quem acredita na possibilidade de voar.
   Que outro sentido faria o céu se não tivesse quem acreditasse que seria possível voar? E que sejam pássaros e que sejam borboletas todos aqueles que acreditam que o céu é a causa de voar. Que tenhamos asas e que o céu seja a nossa casa. 
    É como o sonho. Que sentido faz a vida de quem não sonha?
   Do mais profundo de nós vem o mais árduo sonho e só quem acredita na possibilidade de concretizá-lo é que tem espaço para viver. A vida pode muito bem resumir-se a sonhos. Do sonho vem objetivos e de objetivos vem a vontade de concretizá-los e logo, vem a vontade de viver. O mundo precisa de sonhadores, tal como o céu precisa de seres que saibam voar. Que nós, humanos, sejamos os sonhadores de quem o mundo precisa e que vós, todos os seres com asas, sejam os voadores do céu. Que o nosso único objetivo seja acreditar que da mais ínfima possibilidade ainda há esperança para o sonho, ainda há possibilidade de voar.

E do mais escuro beco, surge a mais linda borboleta.
    Como quando o nosso interior é tão escuro que precisamos de algo para nos sentirmos salvos. E assim surge o sonho mais absurdo que poderíamos desejar mas que no entanto nos mantém vivos. Ou então, quando estamos perdidos e aparece alguém, a luz da nossa escuridão que nos oferece o abraço das palavras e que nos faz acreditar na possibilidade de um novo sonho.

Que outro sentido faz a vida se não o de sonhar?

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

O tempo

Somos um relógio finito, mas qualquer hora é boa para nos perdermos no tempo.
      Que a vida já vai com muitos anos e a morte é certa; por isso ou das duas uma, ganhas o resto do tempo a amar-me ou perdes o resto do tempo a perderes tempo. Eis o que eu poderia escrever se fosse poetisa. Poderia escrever que a única coisa que me prende a ti é o coração. Sim, sofri o transplante da vida no dia em que te vi pela primeira vez. Cortaste-me a respiração e o meu coração, que já tinha sido muitas vezes maltratado, desfaleceu. Mas depois reanimaste-o e transplantaste metade do teu, e para não ser amor a meias eu dei-te metade do meu. Agora sim, o que nos unia eram os corações. Curaram-se um ao outro, ou melhor, curaste-me da vida, que até então não tinha sido mais do que pura ilusão, e eu curei-te da solidão de ter um coração bom de quem ninguém dava valor.

Só não temos todo o tempo do mundo, porque temos todo o tempo da vida.
     Que a vida só começa no momento em que há razões para começar, e só há razões para começar quando encontras alguém que te dá todas essas razões. Essas razões não são mais do que todas as dicas para sobreviveres ao tempo da vida. Um dia o mundo acaba, e com ele acaba o tempo do mundo. No entanto, a vida continua, e assim o tempo da vida também, não interessa em que lugar, mas certamente continua. Não podemos viver uma aventura no mundo para depois a vida desaparecer com a morte. A vida continua. A vida é no paraíso. E o paraíso é ao lado de quem vamos amar até para além da morte.

Não precisamos de ser jovens na terra para sermos jovens em toda a vida.
       Que a vida vai muito mais para além daquilo que vivemos na terra. Somos eternos e é essa a única certeza. Todas as pessoas precisam de um momento de eternidade. Como quando vemos o mar pela primeira vez e parece eterno. Como quando olhamos para as estrelas e parece eterno. Como quando o vento nos toca na face e parece eterno. Como quando encontramos o nosso outro "eu" e é eterno. As pessoas precisam de outro "eu" para serem eternas e a eternidade é a única forma de felicidade que podemos encontrar.

Só é eterno aquilo que nos faz bem.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Pequeno Excerto #2



"Amaram-se para sempre no tamanho daquela noite. Foram ao osso do prazer, e nenhum suor foi mal empregue. Não sabem se foram horas se foram só minutos; sabem que a partir dali nunca mais entenderam a vida da mesma forma. Adormeceram, cansados e apertados (os corpos encaixados como se tivessem nascido para aquilo: um para receber o outro debaixo dos lençóis; será o tamanho de um corpo definido em função do tamanho de outro?), e quando acordaram perceberam que estavam a acordar pela primeira vez.
Todo o amor nos acorda pela primeira vez."
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in "Prometo Falhar", a mais recente obra de Pedro Chagas Freitas.