terça-feira, 30 de junho de 2015

Pequeno Excerto #12

"amanhã temos de acordar cedo, não te esqueças,
não imagino o que vai acontecer,
sei que tu vais e faz sentido o resto,
o amor não é complicado, até simplifica, não é?,
o nevoeiro é a indolência, jamais a embriaguez,
o que diminui o tempo de vida é a aurora da dor, a solidão sem destino, as fendas por onde o sonho apodrece,
o que mais me encantou sempre em ti foi o natal absurdo da tua presença, uma espécie de domingo absoluto,
não me perguntes o que é isso que eu não sei, mas é mesmo assim, posso garantir, 
desde que apareceste nunca mais me faltaram sonhos, já te tinha agradecido por isso, já?"

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in Queres Casar Comigo Todos os Dias, Bárbara?, de Pedro Chagas Freitas

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Quis

Penso, pareço que me escondo.
Ninguém me ouve, nem eu me quis ouvir.
Fingi viver na obscuridade,
Mas era obviamente claro;
O relógio já lá vai,
Que ninguém mais o apanha.
Passe as horas que passar
A maré sempre sobe,
O sol sempre nasce
E eu espero por aquilo que me renasce.
Vivo por entrelinhas, 
Na complexidade das palavras,
Há lá diferença mais obscena
Que o fazer e o agir.
Faço sem pensar,
Ajo porque assim o quis.
Já quis ser poetisa,
Mas poetisa não pude ser;
Pois poeta é quem sente palavras,
E eu nasci para as fazer ver.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Pequeno Excerto #11


"O teu corpo apareceu em mim para aprofundar o conceito de morte, vi-o para acreditar na vida eterna, e imediatamente fiquei pronto a morrer por ele – 

e pelo prazer que ele me dá, a minha mão andava perdida e depois encontrou-se, soube com serenidade quais os caminhos certos, 
e quando a noite acabou ambos soubemos que estava a começar qualquer coisa que não sabíamos o que era mas que sabíamos que fazia voar e chorar."
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in Queres Casar Comigo Todos os Dias, Bárbara?, de Pedro Chagas Freitas

domingo, 21 de junho de 2015

Pequeno Excerto #10

"Somos jovens quando temos muito para amar, anda-se pelos dias à procura de um motivo e quando o encontramos percebe-se que não há motivos, apenas urgência, o tempo a derreter-se entre os dedos e o futuro curto para o espaço que os sonhos ocupam – percebo a nossa humanidade, foi também ela que nos juntou, mas bom bom era juntar-lhe algo de diferente,

a imortalidade, por exemplo, 

pode ser?"

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in Queres Casar Comigo Todos os Dias, Bárbara?, de Pedro Chagas Freitas

sábado, 20 de junho de 2015

Pequeno Excerto #9

"Havia pessoas instaladas entre nós, passados que serviam para doer e não para lembrar, eu que pensava amar alguém estive apenas, afinal, à espera da melhor altura para te amar – que perversa é esta porra quando temos de falhar para acertar em cheio?
Dormes ao meu lado agora, a terra pára e movimenta-se quando é assim, não me interessa de onde viemos nem para onde vamos, apenas o lado prático de te amar."
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in Queres Casar Comigo Todos os Dias, Bárbara?, de Pedro Chagas Freitas

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Pequeno Excerto #8

"interessa-me a transfiguração da tua cintura na minha, o elemento sem nome dos teus olhos fechados,
quando fechas os olhos vejo-te todos os músculos, fecho os meus também e a memória de como o mundo começou assoma,
tudo começou numa bola de fogo,
ou então num orgasmo,
ainda não sei qual terá mais força, alguém sabe?"

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in "Queres Casar Comigo Todos os Dias, Bárbara?", de Pedro Chagas Freitas

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Pequeno Excerto #7


"- A tua sorte é que eu esqueço as coisas más que tu fazes.
- Coisas más? Que coisas más é que eu fiz?

- Não me lembro."
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in Queres Casar Comigo Todos os Dias, Bárbara?, de Pedro Chagas Freitas

terça-feira, 16 de junho de 2015

Pequeno Excerto #6


"Os amores perfeitos duram pouco. Os amores perfeitos são passageiros. Os eternos exigem dedicação. Exigem construção. Há que carregar muitas pedras às costas para construir um amor eterno.


Noventa por cento dos amores morrem por falta de dedicação. E os outros dez nunca sequer foram amores."

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in "Queres Casar Comigo Todos os Dias, Bárbara?", de Pedro Chagas Freitas

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Pequeno Excerto #5


"no teu abraço calcula-se o limite do perigo,
definiste em mim o imediato, se é mais lento do que agora já demora demais, ouviste?,
acordei com uma tristeza distante hoje, falta-me sempre qualquer coisa enquanto não vens,
preciso dos teus olhos abertos para a coragem de abrir os meus."

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in "Queres Casar Comigo Todos os Dias, Bárbara?", de Pedro Chagas Freitas