Que a vida já vai com muitos anos e a morte é certa; por isso ou das duas uma, ganhas o resto do tempo a amar-me ou perdes o resto do tempo a perderes tempo. Eis o que eu poderia escrever se fosse poetisa. Poderia escrever que a única coisa que me prende a ti é o coração. Sim, sofri o transplante da vida no dia em que te vi pela primeira vez. Cortaste-me a respiração e o meu coração, que já tinha sido muitas vezes maltratado, desfaleceu. Mas depois reanimaste-o e transplantaste metade do teu, e para não ser amor a meias eu dei-te metade do meu. Agora sim, o que nos unia eram os corações. Curaram-se um ao outro, ou melhor, curaste-me da vida, que até então não tinha sido mais do que pura ilusão, e eu curei-te da solidão de ter um coração bom de quem ninguém dava valor.
Que a vida só começa no momento em que há razões para começar, e só há razões para começar quando encontras alguém que te dá todas essas razões. Essas razões não são mais do que todas as dicas para sobreviveres ao tempo da vida. Um dia o mundo acaba, e com ele acaba o tempo do mundo. No entanto, a vida continua, e assim o tempo da vida também, não interessa em que lugar, mas certamente continua. Não podemos viver uma aventura no mundo para depois a vida desaparecer com a morte. A vida continua. A vida é no paraíso. E o paraíso é ao lado de quem vamos amar até para além da morte.
Não precisamos de ser jovens na terra para sermos jovens em toda a vida.
Que a vida vai muito mais para além daquilo que vivemos na terra. Somos eternos e é essa a única certeza. Todas as pessoas precisam de um momento de eternidade. Como quando vemos o mar pela primeira vez e parece eterno. Como quando olhamos para as estrelas e parece eterno. Como quando o vento nos toca na face e parece eterno. Como quando encontramos o nosso outro "eu" e é eterno. As pessoas precisam de outro "eu" para serem eternas e a eternidade é a única forma de felicidade que podemos encontrar.
Só é eterno aquilo que nos faz bem.

Sem comentários:
Enviar um comentário