Se houvesse um "para sempre" em todas as coisas que fizéssemos talvez tudo duraria mais um pouco.
-Traz-me o café que eu amo-te para sempre.- não seria a coisa mais romântica que se poderia dizer, mas seria o acordo mais fiel de todos os tempos; a certeza de um sempre que até então mantinha-se e um café que chegava sempre a horas. Podíamos muito bem ser eternos no romance das palavras; bastava só o "para sempre", a sensação de pertencer a algo eternamente, algo que porventura nos faria bem; a segurança de um abraço a horas e de um café também.
As pessoas precisam de muitos mais cafés e de "para sempre" também.
-Hoje trouxe-te flores, para sempre!- e ela cairia no confronto dos atos; na certeza que ele tentava ser romântico incurável; não era mais do que um beijo de palavras, ele dizia-lhe "para sempre" e ela queria que fosse. E a merda das flores? Ela nem se lembrava que ele as tinha trazido! Era só o "para sempre", a certeza de que todo aquele momento iria durar. E nada mais importava, porque nunca nada importa se tudo é para sempre; o tempo que diga, que esse é infinito.
As pessoas precisam de mais tempo, porque esse é "para sempre".
Se houvesse um "para sempre" em todas as coisas que fizéssemos haveria muito mais tempo.

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