Ninguém me ouve, nem eu me quis ouvir.
Fingi viver na obscuridade,
Mas era obviamente claro;O relógio já lá vai,
Que ninguém mais o apanha.
Passe as horas que passar
A maré sempre sobe,
O sol sempre nasce
E eu espero por aquilo que me renasce.
Vivo por entrelinhas,
Na complexidade das palavras,
Há lá diferença mais obscena
Que o fazer e o agir.
Faço sem pensar,
Ajo porque assim o quis.
Já quis ser poetisa,
Mas poetisa não pude ser;
Pois poeta é quem sente palavras,
E eu nasci para as fazer ver.
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